Foto: Divulgação/Secretaria de Meio Ambiente e Clima
São R$ 5 mi do município e outros R$ 5 mi do Banco para serem investidos em projetos de restauração ecológica e produtiva do bioma na capital fluminense
A Prefeitura do Rio assinou, nesta quinta-feira (07/05) o convênio de adesão do município à iniciativa Floresta Viva, sendo a primeira cidade do país a entrar no programa. Assinado pelo prefeito Eduardo Cavaliere e pelo presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o convênio prevê o investimento de R$ 10 milhões, sendo metade aportada pelo Banco e metade pelo município, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Clima.
Os recursos serão utilizados para apoio a projetos de restauração ecológica e produtiva do bioma Mata Atlântica no município do Rio, especificamente na Serra da Posse, em Campo Grande, na Zona Oeste.
— Não podia ter outra cidade para ser a primeira a aderir ao Floresta Viva. O Rio tem um programa de reflorestamento histórico há mais de 40 anos, que na verdade nasce com o reflorestamento da floresta da Tijuca há 200 anos. Com esse projeto, a gente restaura o bioma de Mata Atlântica, garantindo infraestrutura verde, e fazendo isso, como todos os projetos ambientais da prefeitura, com as lideranças das próprias comunidades que vivem limítrofes a essas florestas e que lideram esse processo, para que a gente possa avançar mais e mais com o reflorestamento — disse o prefeito Eduardo Cavaliere.
Com prazo de execução de 48 meses, o projeto prevê o plantio e a manutenção de 337.125 mudas de espécies nativas da Mata Atlântica em uma área total de 93 hectares, fortalecendo a recuperação ambiental e a resiliência climática da região. A área de intervenção fica dentro da Área de Relevante Interesse Ecológico Floresta da Posse (ARIEFP) e abrange trechos dos morros das Paineiras, da Posse e Luís Bom, em Campo Grande, o maior bairro do País.
O projeto promove a criação de um corredor ecológico, integrando áreas previamente reflorestadas pelo Programa Mutirão Reflorestamento e por medidas compensatórias ambientais. Com isso, será formada uma faixa contínua de vegetação, essencial para o deslocamento da fauna, a manutenção da biodiversidade e a estabilidade ecológica da região.
A proposta de restauração substitui gradativamente gramíneas invasoras por cobertura arbórea nativa, reduzindo o risco de incêndio e promovendo o sombreamento natural do solo.
O protocolo de intenções da Prefeitura foi entregue em novembro de 2025, em Belém (PA), durante a Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima de 2025 (COP30).
— Estamos felizes porque o Rio de Janeiro é o primeiro município do Brasil que assume essa agenda com prioridade. Reflorestar esses bairros onde, no verão, a sensação de calor chega a 48ºC é muito importante, porque árvores, especialmente as árvores nativas, elas dão oxigênio, elas limpam o ar, trazem sombra, e, consequentemente, melhora a qualidade de vida da população. Aqui nós estamos cuidando de uma natureza que foi fundamental pra cidade ser o que ela é.
Secretária municipal de Meio Ambiente e Clima, Livia Galdino destacou o pioneirismo da cidade:
— A Secretaria de Meio Ambiente do município do Rio de Janeiro vem na vanguarda de projetos de reflorestamento a partir do nosso Mutirão Reflorestamento, que já trata várias áreas da cidade. A partir do Floresta Viva, o Rio de Janeiro sai na vanguarda novamente, sendo o primeiro município a assinar essa iniciativa como BNDES para a recuperação de cerca de 100 hectares na Área de Planejamento 5 da cidade.
Floresta Viva
O Floresta Viva é uma iniciativa do BNDES destinada a apoiar projetos de restauração ecológica com espécies nativas em todos os biomas brasileiros. Também atua no fortalecimento da estrutura técnica e de gestão da cadeia produtiva do setor de restauração e no apoio a sistemas agroflorestais de produção associados à restauração ecológica.
O Floresta Viva conta com 50% de recursos oriundos do Fundo Socioambiental do BNDES, e 50% oriundos de instituições apoiadoras. Devido ao sucesso da iniciativa, que já mobilizou investimentos de quase R$ 500 milhões, o BNDES lançou, no segundo semestre do ano passado, a segunda fase da iniciativa: Floresta Viva 2025.
O apoio do município do Rio faz parte da segunda fase da iniciativa. Para essa nova etapa, o BNDES anunciou que a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS) foi selecionada para administrar os recursos.
A escolha de um parceiro gestor permite chegar em maior número de localidades e alcançar resultados mais efetivos no apoio à restauração. Entre as principais atribuições do parceiro gestor estão a seleção, contratação e acompanhamento de projetos de restauração ecológica. A FBDS foi escolhida por meio de edital de seleção pública, lançado em agosto de 2025, sendo considerada a melhor entre as 13 propostas apresentadas.
A segunda fase traz algumas novidades em relação à primeira etapa da iniciativa. Ao invés de fazer editais com uma única oportunidade para apresentação de propostas, serão oferecidas chances sucessivas, até que todos os recursos previstos sejam alocados. Outra mudança é que, além do restauro, os projetos poderão incluir atividades e conservação da biodiversidade.
Os benefícios da restauração promovida por meio da iniciativa são amplos: recuperação de áreas degradadas, conexão de fragmentos florestais, conservação de recursos hídricos, preservação da biodiversidade, uso sustentável dos recursos naturais, redução da erosão, melhoria do microclima, remoção de dióxido de carbono da atmosfera, fortalecimento das cadeias produtivas ligadas ao reflorestamento, geração de empregos e renda, além do potencial de geração de créditos de carbono.
Reconhecimento internacional – A iniciativa rendeu ao BNDES o Prêmio Alide 2024, reconhecimento internacional concedido pela Associação Latino-Americana de Instituições Financeiras de Desenvolvimento, destacando o modelo inovador de governança do programa – com parceiro gestor operacional, que confere agilidade e escala aos resultados – e a articulação entre diferentes atores: empresas privadas e públicas, multinacionais, governos e banco público de desenvolvimento.











