A secretária de Meio Ambiente e Clima, Tainá de Paula, e a catadora de recicláveis Ana Carla Nistaldo. Foto Bia Mandarino/ Divulgação/SMAC
Iniciativa promove a capacitação e a geração de renda para mulheres de comunidades periféricas da cidade
A Secretaria de Meio Ambiente e Clima (SMAC) promoveu, neste domingo pela manhã, 15/3, a expansão do Coco no Ponto, na orla da Zona Sul do Rio de Janeiro. A iniciativa propõe uma solução técnica para o reaproveitamento das cascas de coco, promovendo a capacitação e a geração de renda para mulheres de comunidades periféricas da cidade. Atuando como agentes ambientais, elas participam diretamente das atividades de coleta, triagem e destinação adequada do material.
Com a expansão, o projeto passa a contar com 20 coletores de coco verde, distribuídos do Leme ao Leblon. A operação também ganha quatro triciclos elétricos movidos a energia solar, responsáveis pelo recolhimento diário dos cocos nos pontos de coleta. Os veículos são conduzidos por mulheres integrantes de cooperativas, capacitadas pela SMAC e pelo Centro de Educação Ambiental para atuar como agentes ambientais e de logística.
Secretária de Meio Ambiente e Clima, Tainá de Paula destacou a ampliação da iniciativa no mês em que é celebrado o Dia Internacional da Mulher:
– A partir de um resíduo, o projeto resolve a autonomia econômica de muitas famílias. Por meio do Coco no Ponto, mulheres se transformam em figuras com autonomia e renda, sendo agentes ambientais do município e reproduzindo saber. Assim, servem de exemplo para várias outras mulheres de periferia, construindo uma das cadeias produtivas mais rentáveis da cidade e resolvendo um dos problemas ambientais mais caros do Rio, já que esse coco saía da praia e ia para outro município.
Estimativas da ampliação
O projeto foi lançado em junho de 2025, inicialmente como piloto, com apenas seis aramados instalados na Praia do Leme. Com a expansão do Coco no Ponto, a previsão é sair de cerca de 20 toneladas mensais de coco verde coletado para aproximadamente 100 toneladas por mês. O impacto social previsto é a criação de cerca de 100 empregos diretos, considerando as frentes de produção, logística e comercialização.
No campo econômico, a expectativa é que a receita do projeto ultrapasse R$ 100 mil por mês. Em projeção anual, isso representa aproximadamente R$ 1,2 milhão por ano, especialmente considerando que o consumo de coco na orla aumenta nos meses mais quentes.
Além de dar destino adequado a um resíduo que antes era descartado, a reciclagem do coco fortalece a bioeconomia e amplia o potencial de geração de valor a partir de soluções sustentáveis, como biofertilizantes e carvão vegetal, entre outros. Com isso, o projeto contribui para a construção de uma cadeia produtiva sustentável, reduz a quantidade de resíduos enviados aos aterros, estimula práticas de reciclagem e fortalece os princípios da economia circular e da justiça socioambiental.

Catadora de recicláveis celebra oportunidade
A catadora de recicláveis Ana Carla Nistaldo agradeceu a oportunidade gerada para as trabalhadoras do setor:
– Com essa iniciativa, esse coco que iria para um aterro sanitário está indo para uma fábrica, onde é transformado em produtos como carvão, por exemplo. É de muita importância para nós, catadores, que trabalhamos e vivemos do material reciclável. A gente já trabalhava com outros materiais e agora trabalhamos também com o coco.











